O IMPACTO DA DIVERSIDADE EM EQUIPES

Um estudo realizado pela McKinsey com 180 empresas em quatro países definiu que equipes mais diversas apresentam performances superiores quando comparadas com aquelas mais homogêneas. Outra análise, feita pela Credit Suisse, descobriu como negócios com mulheres em cargos de maior poder de decisão superaram aqueles apenas com homens nas métricas mais importantes de crescimento. Um artigo publicado pela Product Development and Management Association (PDMA) demonstrou como times compostos por membros com maior variedade de formação educacional produziam produtos mais inovadores.


Sob crescentes comprovações dos benefícios de um ambiente corporativo plural, empresas buscam cada vez mais a diversidade entre seus membros. Porém, apesar desse novo foco no recrutamento e atração de talentos, o progresso ainda não tem sido tão expressivo como é desejado.


Um dos motivos principais de não atingirem os níveis de diversidade esperados reside na ainda existente impressão de equipes homogêneas, por terem menos diferenças, resultarem em menos conflitos, o que fornece a falsa impressão de maior eficiência. Entretanto, a realidade mostra times menos criativos e que se desenvolvem em um ritmo lento, dada a maior facilidade de relacionamento. Times diversos, por outro lado, se sentem menos acomodados – e isso é ótimo para a produtividade.


Para combater essas suposições, é necessário esclarecê-las e explicá-las, de tal forma que seja possível desconstruí-las.


Times homogêneos parecem ser mais simples – mas isso é ruim para o desempenho


Um estudo feito com membros de diferentes fraternidades de universidades americanas, publicado em 2009 em um boletim de personalidade e psicologia social, oferece uma visão sobre a diferença de performance entre times diversos e homogêneos. No experimento, equipes deveriam solucionar um caso de assassinato.


Inicialmente, foram oferecidos 20 (vinte) minutos para análise individual de provas e apresentação de um possível suspeito. Após, os participantes formaram times com 3 (três) membros da mesma fraternidade - e mais 20 minutos foram dados -, para decidirem a solução do assassinato. Entretanto, 5 (cinco) minutos após o início da discussão, uma quarta pessoa era introduzida na equipe, da mesma fraternidade ou de uma diferente.


Depois de, coletivamente, nomearem um suspeito, todos, individualmente, classificaram diferentes aspectos da atividade. Grupos mais diversos - aqueles com um membro de outra fraternidade - julgaram que as interações da equipe foram menos efetivas. Além disso, estavam menos confiantes no resultado final.


Intuitivamente, isso faz sentido: em um time homogêneo, as pessoas se entendem com facilidade e a colaboração flui naturalmente, dando a sensação de progresso. Lidar com estranhos pode causar mais atritos, o que parece ser contraprodutivo.


Entretanto, os resultados do experimento demonstraram o contrário. Entre os grupos que ainda não sabiam a resposta correta para o caso, a adição de um membro de uma fraternidade estranha praticamente dobrou as chances de conseguir obter a resposta correta (de 29% para 60%). O trabalho pareceu mais difícil, mas o resultado foi melhor.


Na verdade, é exatamente pelo trabalho ser mais difícil que são produzidos melhores resultados. Times diversos oferecem mais interpretações, possuem a tendência de reexaminar dados de forma mais precisa e cuidadosa, além de terem maior foco no objetivo final. Considerar diferentes perspectivas parece ser contraintuitivo, porém é o caminho mais proveitoso.


Diversidade pode aumentar o conflito, mas não como pensam


Em 2015, um artigo do jornal Organization Science sugeriu que pessoas superestimam a quantidade de conflitos em uma equipe diversa. Na pesquisa, estudantes de MBA deveriam imaginar que gerenciavam diferentes equipes de quatro pessoas. Essas poderiam ser compostas por quatro homens brancos, quatro negros ou dois de cada. Apresentado o time de cada um, o experimento consistia em cada participante ler uma simulação de uma discussão entre os membros de seu próprio time, para assim conseguirem avaliar alguns fatores da dinâmica.


Entre as conclusões, os estudantes afirmaram que a discussão em um grupo com quatro pessoas da mesma cor de pele aparentava ter menor nível de conflito do que aquela em grupo diversificado. Porém, o interessante é que todos leram o mesmo diálogo, mas as interpretações foram diferentes.


Esse pensamento inconsciente pode impactar no recrutamento, assim como no modo como líderes criam times. Sem perceberem, relutam na promoção da diversidade no trabalho devido ao medo da geração de conflitos mais intensos, sendo que, na verdade, o que é desenvolvido com a heterogeneidade em uma empresa é a inovação. Exemplificando, um estudo publicado no jornal Economic Geography considerou as performances de mais de 7000 empresas inglesas, e concluiu que negócios com líderes culturalmente diversos eram mais propensos a desenvolver novos produtos e serviços impactantes.


Enriquecer um grupo de funcionários com representantes de diversos gêneros, raças e nacionalidades é essencial para aumentar o potencial intelectual conjunto. Criar um local de trabalho diversificado desenvolve o pensamento crítico ao estimular os membros a escutarem visões discrepantes e questionarem suas próprias suposições.


Diversidade significa destacar as diferenças


Por último, não basta apenas formar uma equipe diversa para alcançar os benefícios desejados. As diferenças entre os membros devem ser notadas e levadas a sério.


Quando pessoas com perspectivas variadas são colocadas juntas, as diferenças tendem a ficar de lado, priorizando-se a harmonia do grupo - quando, na verdade, diferenças e multiculturalismos devem ser destacados. O conflito existente, caso não seja corrosivo, é produtivo, além de fortalecer o senso organizacional de inclusão. Apenas quando todos se sentem respeitados e pertencentes à empresa que representam, os benefícios da experiência diversa serão manifestados.


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